de ponta-cabeça retornar ao ninho
sonhar com o encontro dos mesmos
não caber-se na antiga pele
com farinha e calma satisfazer manias
viver na horizontal
permitir-se usar o estômago em máxima potência
de tudo o mesmo velho saco encher
buscando sempre não saturar-se ou explodir
o sal, o açúcar, os queijos evitar
com os desejos só o que se faz é desejar
felicitar por... sem saber por quê
enxergar poesia nas varandas
ler seu passado estacionado em qualquer lugar
ignorar as multas
abandonar-se à metamorfose das comidas
não deixar-se ao sol pururucar
trocar o almoço pelo jantar
do teto ao chão deslizar um argumento vazio
ficar sem ar... ar! ar! ar!!!
musicar letras que nascem do chuveiro
sintonizar os astros, acertar os ponteiros do relógio da
chuva
terminar meu primeiro Bukowski sem pestanejar
relembrar dos meus primeiros atos falhos
e assim foram-se Kawabatas, Dostoievskis, bulas de remédio
pipocando como projéteis
como promessas
que começaram numa grande e suculenta mordida de amor
e preciso agora parar de me devorar
começando pelas unhas
terminando pelas traças
os maias ignorar, com Nostradamos e Mãe Dináh
cada número da contagem regressiva memorizar
sobre o pé direito cuspir três sementes de uva
e quando as trombetas tocarem
que cada Aquiles defenda seu próprio calcanhar

1 comentários:
tenho o enforcado, das cartas de tarô, amei, vale o trocado pro buzão! beijo, beijo!
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