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20 de fevereiro de 2012

Totens tabus tábuas tatoos tatos retratos


Em seus traços
Nos dialetos comunicáveis
Decifrar seres
Totens tabus tábuas tatoos tatos retratos

Não mais nos cabem tais afetos
Não nos diluem
Que afora o tempo
Remanescente do intelecto
Imaginava perdurarmos o instante zero
Totens tabus tábuas tatoos tatos retratos

11 de fevereiro de 2012


Mirar o passado é
na areia, os passos
ver o vento, apagar

30 de janeiro de 2012


Recuso-me a transbordar
Por esse frescor eucalíptico
Que orvalhando fêmeo
Do ovário matinal
Desbota em pranto
Lascivo e untado
A cada espasmo
Incitando o prisma
Pronto ao disparo
Ejaculando luz
De frêmito relâmpago

30 de dezembro de 2011

conjugações pelo feliz fim


de ponta-cabeça retornar ao ninho
sonhar com o encontro dos mesmos
não caber-se na antiga pele
com farinha e calma satisfazer manias
viver na horizontal
permitir-se usar o estômago em máxima potência
de tudo o mesmo velho saco encher
buscando sempre não saturar-se ou explodir
o sal, o açúcar, os queijos evitar
com os desejos só o que se faz é desejar
felicitar por... sem saber por quê
enxergar poesia nas varandas
ler seu passado estacionado em qualquer lugar
ignorar as multas
abandonar-se à metamorfose das comidas
não deixar-se ao sol pururucar
trocar o almoço pelo jantar
do teto ao chão deslizar um argumento vazio
ficar sem ar... ar! ar! ar!!!
musicar letras que nascem do chuveiro
sintonizar os astros, acertar os ponteiros do relógio da chuva
terminar meu primeiro Bukowski sem pestanejar
relembrar dos meus primeiros atos falhos
e assim foram-se Kawabatas, Dostoievskis, bulas de remédio
pipocando como projéteis
como promessas
que começaram numa grande e suculenta mordida de amor
e preciso agora parar de me devorar
começando pelas unhas
terminando pelas traças
os maias ignorar, com Nostradamos e Mãe Dináh
cada número da contagem regressiva memorizar
sobre o pé direito cuspir três sementes de uva
e quando as trombetas tocarem
que cada Aquiles defenda seu próprio calcanhar

29 de novembro de 2011

Arrotos e Soluços

ASSISTA DE BARRIGA VAZIA, COM FOME, EM QUALIDADE HD, TELA CHEIA E SOM BEM ALTO.



Uma casa, quatro cômodos, quatro pessoas: um apático, um revoltado, um submisso e um faminto. Personagens que, ao mesmo tempo, somos todos nós. Entre arrotos e soluços, entre a vontade de comer e a fome saciada, uma galinha. E a certeza de que a fome cria monstros.


Página oficial - www.oruminante.com.br/arrotosesolucos

Realização: Oruminante, da palavrinha ao palavrão. 
Incentivo: Fundo Municipal de Cultura. 
Apoio: Imaginare Filmes e Batuki Soluções em Áudio. 

Ficha Técnica. 
ARROTOS e SOLUÇOS
Uberlândia -- MG -- Brasil -- 2012
HD -- Cor
Censura -- 18 anos. 

um filme de RENATO CABRAL
direção, roteiro

apresentando
ALBA JACOBINA
SAMUEL GIACOMELLI
NARCISO TELLES
VILMA LEITE

fotografia 
ARTUR GRACIANO 
CARLOS SEGUNDO

assistente de direção e montagem
LUIS FELIPE PIMENTA

trilha sonora
GIORDANO PAGOTTI

corroteirista
MURYEL DE ZOPPA

produção
JULYANA NASSAR
BRAYERSON TOLEDO

direção de arte
CASTOR

color e finalização
FRANCISCO JUNIOR

captação/sound design/mixagem
TÚLIO ALMEIDA 
NEMER CASTRO
RODRIGO NEPOMUCENO

músicos
GIORDANO PAGOTTI - violão, guitarra, teclado
ROBERT CRUZ -- violino
RAFAEL SILVA -- fagote
EDUARDO CARCERES -- contrabaixo
TIM FERNANDES - saxofones

elétrica
SÍLVIO GONÇALVES

maquinistas
ERIK ALVES 
LEANDRO DE MELO CROSARA
MARILDO SOARES

maquiagem
BRUNA COELHO

direção de arte DVD/web
RODRIGO DE CARVALHO

desenvolvimento web
ROBERTO VIANA

agradecimento
PAULA BERNARDES -- Imaginare Filmes.http://www.imaginarefilmes.com.br/blog/
PAULO MENEZES -- Batuki Soluções em Áudio. http://www.batuki.com.br/
NANJI -- Fábrica CDs. 
CARLOS SEGUNDO -- Cass Filmes. http://www.cassfilmes.com.br/

4 de outubro de 2011

A Espera

- Apareça, digo
E a espera tudo alcança o que a presença subtrai
Em verbo, dito
- Não se esqueça que no tempo voam palavras pelo ar
Sem esperança de alçar peles, panos, sonhos, bocas, peitos, planos, paladar...

No futuro, papel que brota a flor, aliança destes corpos
cultivar outra criança
na esfera de uma mãe,
na espera de um só pai.

Em que muito vem, o que muito vai
e que da espera o tempo só se esmere em esperar

.

17 de julho de 2011

As peras
As pernas
As preces
Quase tudo se parece
A cada gozo a vida cresce
E o gosto que incide
Na boca permanece
O amplexo
O léxico
O sexo
Quase tudo tão complexo
E o mesmo se inventa ao inverso
Simples na soma dos sabores
Que a língua nunca esquece
As peras
As pernas
As preces

*colagem gráfica de Fabiana [Bia] Zago - Bonequinha de Luxo

7 de julho de 2011

Guru Guri

Eu que não te vi
Nove meses nu
Descalçando assim
Me sorrindo azul
Eu que já cresci
De tanto rodar
Nunca mereci
Este teu olhar
Meu guru guri
Meu guri guru
Já te conheci
De lugar algum
Quando te ouvi
Meu nome chamar
Mil vezes insiste
Sem que perca o ar
Nunca é muito tarde
Sempre é cedo e só
Mas meias verdades
Sem perdão nem dó
Machucam no fundo
D’alma que perdi
Fugitiva em sonho
Quando me esqueci
Que seria o padre
Dessa comunhão
Dois ateus em transe
Ardem em oração
Quero que recebas
O que já cedi
Sou o teu cavalo
Um pouco de ti
Doo as minhas pernas
Para tu seguir
Menino calado
Da escrita na mão
Ouvido colado
Em meu coração
Tilintamos juntos
Perto de um final
Que não mais é ponto
Sina ou sinal
É canção que entôo
Pra que o seu ninar
Aguarde em silêncio
Nosso despertar
Meu guru guri
Meu guri guru
Não te conheci, e
Sempre foste tu
Meu guru guri
Meu guri guru

23 de junho de 2011

As rosas não falam
A rosa não fala
E a muda
em silêncio
Muda

No ritmo do vegetal

11 de maio de 2011

 Não há o que não se possa recordar
Embrenhando-se no mistério dos poros
Fitando o espelho que te entregam
Pelo lado de lá
A fita amarrada no dedão do pé, uma sombra no calcanhar
No suspense do poeta
Ao não dizer-se da fala
“Quando para sudoeste voar ao vento, delire nuvens e capim”
Acordar do tombo ao tornar-se chão
O espanto
Meia volta
Volta e meia
Volta tinindo no ouvido
Com qualquer sibilo astuto
a si, assado, a se espantar, em contradição, se confundir, não saber-se, e assim sendo dizer não cabe, então cala, aguarda e interrompe o tempo que não destoa em vão.
Nesses rituais de renovação
Encontrando-se no leito a desovar outros de si
Teu mestre demonstra como vencer a gravidade
E mesmo que a dúvida pereça em verdades ou desverdades
Todos parecem flutuar
Sendo você o ar

17 de abril de 2011

CALLE! - Clipe do Espetáculo

Meus amigos da Trupe de Truões estarão em cartaz nos dias 29 e 30 de Abril, 20, 21, 27 e 28 de Maio no seu espaço o "Ponto dos Truões" e no dia 05 de Maio no Festival Ruínas Circulares.
Confiram o espetáculo, o Festival e visitem a sede da Trupe (um novo espaço para a cultura de Uberlândia)


Fiz esse video para divulgar o espetáculo deles:


4 de abril de 2011

Sonho da madrugada entre os dias 03 e 04 de Abril

Esta noite sonhei com o teatro Grande Otelo. Eu passava com amigos em frente ao prédio e o encontrei sendo depredado. Pessoas – meninos, jovens, senhoras e senhores de terno e gravata – arrancavam pedaços do prédio, quebravam vidros com tacos e pedras, corri até um homem que terminava de destruir uma pilha de elipsoidais, perguntei se ele sabia o que estava fazendo e ele simplesmente me olhou com desdém e saiu andando. Eu, abraçado a um dos elipsoidais, atônito, não conseguia entender nada daquilo.
Parti em direção ao prédio a fim de entrar e ver o que acontecia lá dentro. Às portas visualizei um luxuoso saguão que não condizia com a imagem que eu esperava encontrar. Lá dentro mulheres passeavam curiosas, a passos lentos. Não ousei penetrar o espaço, e mesmo quando tinha impulsos de fazê-lo era repelido por alguma força estranha. Percebi, por detrás de uma parede interna, a ponta de um caixão encoberto por flores. Alguém era velado. Foi quando algo acertou com força minha cabeça. Uma pedra. Eu estava entre o luxuoso velório e a violenta depredação. Comecei a bradar contra aqueles que tinham pedras e paus nas mãos e eles, se acalmando, debochando riam de mim e me contavam que estavam sendo patrocinados para fazerem aquilo. Um restaurante os patrocinava. Um deles me passou um cartão, onde dizia que eu não era bem vindo para me alimentar naquele lugar.
Ignorei. Peguei o telefone e tentei telefonar para a secretaria de cultura da cidade. Ela me atendeu e com a voz calma e mansa me dizia para me acalmar, que estava tudo bem, que as coisas eram assim mesmo, que tudo ia se resolver...
Acordei quando algo muito forte como uma explosão, ou implosão, me empurrou para longe do teatro, me jogando contra os carros e árvores estacionados do outro lado da rua.